setembro 27th, 2017 RiR no Rio da Rocinha

O terceiro álbum da banda brasileira de rock Legião Urbana, lançado em 1987, eternizou no inconsciente de toda nação uma pergunta até hoje difícil de responder: Que país é este? Pergunta essa que nos dias de hoje machuca ainda mais do que na época que foi lançada. Que país é este que maltrata, explora, esquece, despreza, barbariza e rejeita sua própria gente?

Como nação temos assistido transtornos bipolares na política, na economia, nos governos. Toda uma população, frente as pressões que enfrenta, alterna períodos de depressão aguda com ânimo acentuado. Nos últimos dias tivemos um retrato nítido. Enquanto numa ponta da cidade acontecia mais uma edição do Rock in Rio com ânimo acentuado, na outra ponta da cidade, polícia e exército travavam uma guerra contra os traficantes na Rocinha causando uma depressão aguda.

Afinal, qual Rio de Janeiro é real? O do RiR ou o da Rocinha? O Rock in Rio é apenas um festival que desfila estilos de músicas e, por conta da massiva divulgação e promoção da Globo, ele parece maior do que é. E a Rocinha? É mais um morro dominado pelo tráfico com facções disputando cada metro quadrado e cobrando taxas por todo serviço junto à comunidade, tipo um estado ilegal, paralelo ao estado legal.

No RiR seus atores fazem o que deles se espera. Tocam, cantam e erguem suas bandeiras. Promovem beijaços, lançam slogans em prol da paz, pregam o respeito a diversidade, gritam “fora Temer”, abraçam o Amazonas e sua floresta, incentivam a liberação das drogas. Tudo no script, nenhuma novidade.

Na Rocinha a bandidagem faz o que já se sabe. Ordena o fechamento do comércio, impõe o toque de recolher, passa drogas a luz do dia sem qualquer constrangimento, cobra taxas de todos os moradores, circula com motos e veículos roubados tranquilamente, exibem armas potentes como se exibissem um óculos, atiram, matam, detonam sem dó nem piedade.

Agora cruze esses dois mundos. A droga pela qual se mata na Rocinha é exaltada e consumida por boa parte dos artistas e públicos do RiR. O sexo livre que parte do morro pratica também se pratica por boa parte do povo do festival. Não, o Rio real não é nenhum destes cenários, o Rio é mais.

Nunca fui ao RiR, nem pretendo. Na Rocinha, no entanto, já subi. Tem muita gente boa lá, que rala todo dia, que torce pro seu time, que ama, que vive com autenticidade sua fé. Sem medo de errar, tinha o mesmo no RiR. Enfim, no Rio tem muita gente apaixonada por música, por alegria, por vida, por trabalho, por futebol, por dignidade, por honestidade, por práticas corretas, por uma fé autêntica e bíblica. O Rio não é o caos da Rocinha e nem a fantasia do RiR. O Rio é sua gente que não cansa, não desiste, encara os absurdos abusos e roubos dos últimos tempos e vai a luta na certeza de que, com a bênção de Deus, finalmente dará a volta por cima.

Provérbios 11:11 afirma que “Pela bênção dos justos a cidade é exaltada…”. O Rio tem milhares de justos, gente que não se hipnotiza com luzes ou drogas, e nem se rende a covardia dos que se escondem atrás de armas. O Rio tem milhares de justos que investem tempo na música que adora seu Criador e lançam mão da única arma de ataque e defesa que sabem empunhar: a espada revelada na Palavra de Deus.

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